
Se a música parasse de soar completamente por alguns minutos, o mundo seria tomado pelo caos. É o que pensa Leo Brouwer, festejado compositor cubano que esteve recentemente em São Paulo regendo orquestras e ensinando estudantes de música. Como provar cientificamente o acerto ou erro desta afirmação? E como não ser seduzido por ela?
Em 2008, foi aprovada uma lei que torna a educação musical obrigatória nas escolas – uma prática que fora cultivada no Brasil no passado e existe até hoje na Europa, com os educadores defendendo que a música é fundamental para a formação do indivíduo e do cidadão. Um dos efeitos da lei já é sentido: aspirantes a professores lotam os cursos de licentiatura em música das universidades. É com esta ideia de avanço educacional que crescem no Brasil, em ritmo e proporções impressionantes, programas de inserção sociocultural por meio do ensino da música clássica. Só na Grande São Paulo, houve um boom no último ano e programas como o Projeto Guri e seu desmembramento mais recente, Guri Santa Marcelina, já ensinam dezenas de milhares de crianças – principalmente nas regiões menos favorecidas -, que agora têm mais uma sofisticada e desafiadora opção para sair da rua por algo que vale a pena, desenvolver mais habilidades cognitivas e crescer a ponto de se tornar cidadãos no exercício de todos os seus direitos em termos sociais, políticos e, claro, culturais.
Em outros âmbitos, a música dita “clássica”, para alguns confinada a salas de concerto de elite, se expande inexoravelmente e torna-se opção acessível a todos por meio da internet e da popularização do conceito das grandes orquestras marcadas pela ambição e excelência artísticas – cujo exemplo mais clássico, em ambos os sentidos, é a OSESP. Os festivais de música que reúnem concertos e cursos com artistas e alunos do mundo todo se multiplicam no Brasil, multiplicando também outros grupos envolvidos – professores, estudantes, produtores, administradores, jornalistas e, justificando tudo isso, espectadores. Longe dos palcos, a música clássica também permeia o dia-a-dia embalando os bebês no quarto, confortando os enfermos nos hospitais ou simplesmente conquistando espaço nos PCs e tocadores portáteis.
Forma-se uma grande paisagem sonora, onde cada vez mais pessoas têm acesso a uma das mais ricas produções culturais da humanidade – a música ocidental dos últimos 200 anos, somada às contribuições de cada povo específico, com suas tradições, canções e danças características. E este mundo de sons não se pode prender em nenhum museu. Viaja por entre os momentos de nosso dia-a-dia, mesmo que disso não tenhamos consciência, e é capaz de nos modificar e enriquecer.
Crônicas, personagens, eventos, gravações e livros povoam este blog, que busca inspirar os leitores para a escuta mais rica possível.
Se a música parasse de soar completamente por alguns minutos, o mundo seria tomado pelo caos. É o que pensa Leo Brouwer, festejado compositor cubano que esteve recentemente em São Paulo regendo orquestras e ensinando estudantes de música. Como provar cientificamente o acerto ou erro desta afirmação? E como não ser seduzido por ela?
Em 2008, foi aprovada uma lei que torna a educação musical obrigatória nas escolas – uma prática que fora cultivada no Brasil no passado e existe até hoje na Europa, com os educadores defendendo que a música é fundamental para a formação do indivíduo e do cidadão. Um dos efeitos da lei já é sentido: aspirantes a professores lotam os cursos de licentiatura em música das universidades. É com esta ideia de avanço educacional que crescem no Brasil, em ritmo e proporções impressionantes, programas de inserção sociocultural por meio do ensino da música clássica. Só na Grande São Paulo, houve um boom no último ano e programas como o Projeto Guri e seu desmembramento mais recente, Guri Santa Marcelina, já ensinam dezenas de milhares de crianças – principalmente nas regiões menos favorecidas -, que agora têm mais uma sofisticada e desafiadora opção para sair da rua por algo que vale a pena, desenvolver mais habilidades cognitivas e crescer a ponto de se tornar cidadãos no exercício de todos os seus direitos em termos sociais, políticos e, claro, culturais.
Em outros âmbitos, a música dita “clássica”, para alguns confinada a salas de concerto de elite, se expande inexoravelmente e torna-se opção acessível a todos por meio da internet e da popularização do conceito das grandes orquestras marcadas pela ambição e excelência artísticas – cujo exemplo mais clássico, em ambos os sentidos, é a OSESP. Os festivais de música que reúnem concertos e cursos com artistas e alunos do mundo todo se multiplicam no Brasil, multiplicando também outros grupos envolvidos – professores, estudantes, produtores, administradores, jornalistas e, justificando tudo isso, espectadores. Longe dos palcos, a música clássica também permeia o dia-a-dia embalando os bebês no quarto, confortando os enfermos nos hospitais ou simplesmente conquistando espaço nos PCs e tocadores portáteis.
Forma-se uma grande paisagem sonora, onde cada vez mais pessoas têm acesso a uma das mais ricas produções culturais da humanidade – a música ocidental dos últimos 200 anos, somada às contribuições de cada povo específico, com suas tradições, canções e danças características. E este mundo de sons não se pode prender em nenhum museu. Viaja por entre os momentos de nosso dia-a-dia, mesmo que disso não tenhamos consciência, e é capaz de nos modificar e enriquecer.
Crônicas, personagens, eventos, gravações e livros povoam este blog, que busca inspirar os leitores para a escuta mais rica possível.
Caro Alexandre:
Quando você comentou que ia editar seu blog, já sabia que seria algo muito especial, porque conheço você há bastante tempo. Dito e feito. Sua abordagem no Prelúdio e na Contemplação é didática e saborosa, qualidades que certamente irão fascinar os leitores, mesmo os ainda não afinados com o admirável mundo dos sons. Tem razão o Leo Brouwer quando diz que “Se a música parasse de soar completamente por alguns minutos, o mundo seria tomado pelo caos”.
Parabéns e boa sorte a você.
Cláudio Moschella.